horário de verão

Horário de verão, quanto economizamos no ciclo 2016/2017?

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É um caso de amor e ódio. Uns odeiam acordar “mais cedo” e outros amam a possibilidade de aproveitar o sol até mais tarde. Fato é que muitas pesquisas oficiais já foram feitas para coletar a percepção da população sobre o horário de verão. Apesar do horário de verão ter sido implementado no Brasil pela primeira vez no verão entre 1931/1932, as primeiras pesquisas só foram realizadas pela Eletrobras na década de 90, abrangendo todo o território nacional. Posteriormente o próprio Ministério de Minas e Energia (MME) realizou duas pesquisas, por meio da FIPE/USP, abrangendo 18 e 22 Unidades da Federação. Já nos anos 2000, a ANEEL conduziu outras duas pesquisas, também por meio da FIPE/USP. Na última pesquisa concluiu-se que 74,0% da população aprovavam a adoção da medida, conceituando-a entre ótimo, bom ou regular, 25% reprovavam e 1% se absteve.

Porque existe horário de verão?
O principal objetivo do horário de verão é o melhor aproveitamento da luz natural em relação à artificial, adiantando-se os relógios em uma hora, de forma a reduzir a concentração de consumo no horário entre 18 e 21. 

Porque não existe horário de verão no Norte e Nordeste?
O Horário de Verão é mais eficaz nos Estados mais distantes da Linha do Equador, onde há uma diferença mais significativa na luminosidade do dia entre o Verão e o Inverno. Nos Estados do Centro-Oeste, Sudeste e Sul, os dias de verão são mais longos que no Norte e Nordeste. Com isso, é possível estimular as pessoas e as empresas a encerrarem suas atividades do dia com a luz do sol ainda presente, evitando que muitos equipamentos estejam ainda ligados quando é acionada a iluminação noturna. Quando o Verão se aproxima do fim, os dias voltam a  ficar mais curtos nas regiões mais ao Sul (o sol começa a sair cada vez mais tarde). Com isso, torna-se necessária a interrupção do Horário de Verão, para evitar que as pessoas comecem o dia ainda no escuro e tenham que ligar a iluminação.

Imagem: representação da luminosidade solar sob o território brasileiro as 6:00am de Outubro de 2016. Do lado esquerdo com horário de verão, do direito sem horário de verão.

Como acontece a mudança do horário oficial de um país?
A implementação do horário de verão é fundamentada na própria Constituição Federal, mais especificamente o artigo 22, inciso IV, e no artigo 1º, inciso I.b, do Decreto-Lei nº 4.295, de 13 de maio de 1942. O artigo diz que “compete privativamente à União legislar sobre águas, energia, informática, telecomunicações e radiodifusão”. Essa aplicação é ainda mais concreta quando o assunto se refere ao uso racional da energia elétrica e à garantia de suprimento energético à população.

Vamos aos dados. O horário de verão compensa?

Nos últimos anos, como resultado da aplicação o horário de verão, nas regiões onde a medida é aplicada, tem sido alcançado uma economia no consumo de energia elétrica da ordem de 0,5%. As análises técnicas demonstram que essa redução de demanda de ponta evita investimentos da ordem de R$ 7,0 bilhões, que seriam necessários para construir usina que fornecesse a energia adicional no horário de pico. É a mesma lógica que faz o sistema escolar operar com turnos, o que permite atender um número maior de estudantes com o mesmo número de escolas. A redução de 0,5% no consumo é considerada como um ganho decorrente, ou marginal, mas que não pode ser desprezado.


Figura: Representação da curva de carga da região Sudeste e Centro-Oeste.

 

Estou vendo no gráfico que o horário de verão pode fazer com que o consumo aumente em alguns períodos, como isso ajuda?
Exatamente, o horário de verão pode fazer com que se aumente o consumo em determinados horários. Apesar disso, não são horários de pico, nos quais o sistema de geração, transmissão e distribuição de energia estão sofrendo seu stress máximo. Por isso o custo de se gerar, transportar e entregar energia nesses horários é maior. Assim, a redução dos picos máximos de demanda por energia proporciona uma utilização mais uniforme da energia elétrica durante o dia, o que a caracteriza como uma medida de eficiência energética. Quanto mais uniforme a utilização da energia no período diário, mensal e anual, melhor se aproveita o sistema elétrico disponível, os recursos energéticos, e consequentemente os recursos naturais.

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