Indicadores de Eficiência Energética e sua Importância

Independente do nível de maturidade nas práticas de gestão energética em que sua empresa está, existe um tipo de ferramenta que é flexível o suficiente para ser utilizado por todas as situações dentro das fases de maturidade em gestão de energia elétrica. O controle de indicadores de eficiência energética é uma boa prática que, quando bem implementado, estimula práticas de gestão energética cada vez mais avançadas que trazem resultados duradouros, como a redução no consumo energético e custo total da fatura no final do mês.

O problema comum

Existem vários momentos em que a energia passa a ser observada com mais atenção dentro das empresas, mas na grande maioria dos casos isso acontece quando algum dos gestores percebe que o custo associado ao insumo está se tornando cada vez mais relevante. Assim que a energia elétrica é identificada como um dos focos de atenção na matriz de custos da empresa, vêm as primeiras dúvidas:

– Será que meu consumo está aumentando?
– Se sim, ele deveria estar aumentando?
– Será que alguma das modificações que fiz no processo contribuíram ou agravaram a situação?
– Ou será que é a tarifa de energia que não para de subir?
– Será que existe mais de uma opção de tarifas de energia?
– Será que são multas ou encargos.. E por aí vai!

Uma boa parte dos gestores já possui o senso de avaliar o consumo energético ao invés do custo da fatura. Essa prática é o primeiro passo para eliminar os aspectos financeiros menos controláveis (multas, encargos, tarifas, enquadramento tarifário, etc…). Na realidade em muitos casos é possível sim controlar ou menos compreender melhor esses aspectos e encontrar alternativas, como falamos neste post de faturas). 

Voltando então a uma análise dos valores de consumo (em kWh ou MWh), é bastante difícil fazer uma leitura correta. Os números absolutos de consumo podem se provar difíceis de se interpretar. Mesmo quando instalamos sub-medição, aquela que envolve dados de dentro de um processo produtivo e não só da entrada da distribuidora, o que já é um passo avançado na escala da gestão energética, se os dados não tiverem contexto, pode ser difícil entender os valores de consumo e mais difícil ainda de entender a realidade da empresa e traçar um plano de acompanhamento. 

Por exemplo se uma indústria consumiu 12.302 kWh em um mês e 24.840 kWh no outro, o que isso significa? Não necessariamente a indústria se tornou menos eficiente. O aumento das contas pode ser um sinal de aumento da produção e de um negócio saudável em crescimento. No gerenciamento de energia, o contexto é importante, e compreender o consumo de energia requer a compreensão dos principais fatores que influenciam o consumo energético.

 

A solução

Dados não energéticos devem ser usados ​​para contextualizar o consumo, sempre! Informações sobre produção, ocupação (número de colaboradores ou usuários), dados climáticos e área construída são úteis para contextualizar o consumo energético. Vamos a alguns exemplos:

  • Para um escritório: kWh/m2 ou mesmo kWh/número de colaboradores. Aqui na CUBi por exemplo usamos um indicador próprio que leva em consideração a metragem do ativo, o número de pessoas que trabalham ali em cada mês e também o consumo que ocorre em horários que não existe expediente;
  • Para uma indústria de transformação de plástico: kWh/kg produzido ou kWh/peça produzida;
  • Para um restaurante: kWh/refeição servida ou kWh/faturamento;
  • Para um hipermercado: kWh/m2 ajustado pela condição climática ou também kWh/faturamento

Essas variáveis podem ser usadas tanto como padrão de comparação entre diversos ativos quanto para neutralizar a influência de variáveis independentes da análise de perfil de consumo energético. Por exemplo, em sistemas de refrigeração é fundamental neutralizar a variável climatológica ao avaliar a performance energética de ativos localizados em diferentes lugares do país. De maneira prática, não podemos comparar diretamente um supermercado em Fortaleza com outro em Curitiba, sendo que os ativos estão sob condições climática distintas com necessidades térmicas diferentes e isso tem de ser levado em consideração na hora de realizar uma comparação. Já em sistemas produtivos, o ajuste pela quantidade produzida é fundamental para realmente extrair valor dos valores monitorados, e assim respondendo a questão que havíamos colocado acima, de se o consumo está aumentando em relação a uma mudança no volume de produção.

 

Agora, como criar meus próprios Indicadores de Eficiência Energética e para que utilizá-los?

Esperamos que depois de ler até aqui, você tenha compreendido tanto a importância como o potencial que ter um indicador do tipo dentro de seu processo.

O importante é que os indicadores de eficiência energética sejam uma relação entre o consumo energético e um ou alguns indicadores que já são importantes em seu processo produtivo. Se ainda não possui experiência com o tema, sugerimos escolher um único indicador para começar e olhar a empresa como um todo. Na maior parte dos casos esse indicador é aquele que toda a empresa já utiliza no dia a dia, como por exemplo o volume produzido no caso de uma indústria.

Vamos dessa vez com o exemplo de uma indústria de bebidas, que o indicador mais importante é o volume (em m3) produzido. Vale lembrar que nada disso é uma regra, mas é um formato que na prática tem feito sentido e funcionado para muitas empresas com que trabalhamos. Vamos adotar a frequência de dados coletados mês a mês, no entanto poderíamos aplicar o mesmo racional para outras frequências, como anual, semanal, diária, horária…

  • Coletar o valor de kWh total de cada mês através da fatura de energia;
  • Separar seus dados de produção de cada mês em m3. Você pode tanto usar os valores para o mês civil (do dia 1 até o último dia do mês), mas lembre-se que as faturas de energia não costumam ser relativas a esse período, então para maior precisão agrupe seus dados de produção com o mesmo período das faturas. Caso não possua essa informação, siga com o mês civil.
  • Divida o valor do Consumo por cada valor de volume produzido.
  • Plote esse indicador em uma gráfico de linha ou barras para facilitar seu entendimento.
  • A leitura é simples, quanto maior o valor mais energia foi necessária para produzir uma unidade de produto.

Este é só primeiro passo e o mais simples que pode ser realizado sem auxílio de praticamente nenhuma tecnologia além de uma planilha. O passo seguinte seria instalar um sistema de monitoramento na entrada de sua distribuidora e ter uma visão um pouco mais profunda de seu indicador, agora sim, talvez de maneira diária. Algumas empresas chegam a fazer a geração do indicador de maneira automatizada por turno ou até mesmo por hora.

Um passo ainda além é inserir a sub-medição como comentamos acima, nesta fase, mais avançada, são utilizados medidores diretamente em cada setor produtivo, linha ou até mesmo máquina. Dessa forma podemos ser cirúrgicos a ponto de saber quais os indicadores de performance de cada elemento no sistema, não só tendo um visão global mas também exata de quais linhas ou produtos são mais intensos em seu consumo energético. Esse estágio já possibilita que empresas que rodam diversos produtos em suas linhas, passem a conhecer o custo real de energia de cada um deles e realizem o correto rateio, onerando produtos que precisam ser onerados e desonerando outros que são menos intensos em energia.  

 

Plataformas de gestão e indicadores de eficiência energética

Nem sempre os cálculos para normalizar e ajustar os consumos com dados contextuais são triviais. Além disso, vale a pena um olhar crítico sobre a elasticidade e dependência desses dados contextuais em relação ao consumo elétrico. Pode ser, por exemplo, que seu consumo elétrico não seja dependente da produção desde que ela aconteça abaixo de um limite de 1000 peças que é a capacidade da máquina que fica necessariamente ligada independente se produz ou não.

É sempre possível que essas análises sejam feitas usando excel ou alguma ferramenta simples, mas para casos mais complexos e/ou de maior volume, uma plataforma eficaz de análise de energia simplificará a análise de dados por meio de tendências e normalização automática de dados de energia em relação às principais variáveis. O objetivo é permitir que usuários comuns executem tarefas complexas com apenas alguns cliques no botão ao invés da indústria ter de possuir um analista de dados especializado (o que normalmente não é o caso pois esta é uma mão de obra bastante especializada e custosa).

Seja por conta própria ou usando uma plataforma de gestão de energia, esperamos que o texto tenha lhe auxiliado a entender um pouco mais da importância de se criar indicadores de eficiência energética em sua empresa.

Se você quer conversar sobre seus projetos de eficiência energética, entre em contato para batermos um papo! Se achou o conteúdo útil e conhece pessoas que podem fazer bom uso dele, por favor compartilhe!

Rafael Turella

Engenheiro ambiental pela UNESP e mestre em Sistemas Sustentáveis com ênfase em Energia pelo Rochester Institute of Technology. É co-fundador da CUBi e atualmente responsável pela área de marketing e vendas.

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