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ESCO – O que é? Como funciona? [atualizado em 2020]

Para aqueles que costumam ler/escutar notícias dentro do setor de energia, a palavra ESCO aparece bastante e, em geral, acaba gerando perguntas pois é uma abreviação de um termo em inglês, ou seja, a chance de alguém deduzir seu significado logo de cara é bastante baixo. ESCO é na verdade a abreviação de Energy Service Company (algumas pessoas preferem o termo Energy Savings Company), ou em português, Empresa de Serviço de Energia.

E o que é uma ESCO?

Mesmo que o termo tenha sido cunhado fora do país, nós o utilizamos comumente por aqui para designar empresas de engenharia que são especializadas em serviços que promovem uma maior eficiência energética. Salvo casos muito específicos, os objetivos comuns de uma ESCO sempre seguem na direção de aumentar a eficiência de um processo/empresa e gerar economia de energia e financeira.  

Uma ESCO usualmente está preparada para atuar em todas as fases do processo de eficiência energética, indo desde pré diagnósticos, onde não ocorrem medições e só são levantadas informações superficiais, até estudos bastante técnicos e auditorias completas. Estas empresas não só efetuam estudos para entender a realidade de cada cliente, mas também possuem a capacidade de propor projetos de melhoria, fazer todos os estudos de viabilidade técnica, financeira, ambiental e se for o caso, implementar o projeto, coordenam as obras e por aí vai.

Além desse amplo leque de serviços, uma ESCO pode ainda implementar projetos de monitoramento energético (utilizando uma das diversas tecnologias de monitoramento existentes) e podem também realizar estudos para propor mudanças de tarifação nas empresas.

Modelos de negócios na ESCO

Um dos maiores diferenciais das ESCOs é que as empresas não só oferecem serviços técnicos, mas também podem partilhar dos investimentos/riscos com o cliente, ou seja, depois de um estudo detalhado de viabilidade técnica e financeira de um projeto, a própria ESCO pode financiar a operação ou trazer investidores para a mesa.

Contratos de Performance

O cliente por sua vez recebe o projeto (pago pela ESCO) e realiza pagamentos recorrentes relativos às economias geradas pela implementação do projeto. Isso é chamado de Contrato de Performance. É um formato de negócios que ficou muito famoso nos Estados Unidos, mas infelizmente é bastante raro aqui no Brasil por uma série de motivos, técnicos e culturais:

  • Técnicos: é bastante difícil estabelecer as linhas de base que serão utilizadas, ou seja, as regras e valores que retratam a situação atual do cliente em termos de energia e que serão usadas para calcular o ganho do projeto após implementado. Como os processos produtivos possuem diversas variáveis e modificações com o passar do tempo, essa operação pode ficar complicada rapidamente. Não só sua definição inicial, mas também o acompanhamento mês a mês, que deve ser preciso, já que está atrelado a pagamentos devidos. O mais comum é que as ESCOs usem sistemas inteligentes de monitoramento e ferramentas de acompanhamento de projetos de melhorias. A CUBi é uma das empresas que fornece esse tipo de solução para diversas ESCOs no Brasil.
  • Culturais: o empresário brasileiro não está muito habituado em “assinar cheques em branco”. Vamos lembrar que um projeto com contrato de performance não possuiu um valor estabelecido dos pagamentos futuros, apenas a data dos pagamentos que serão devidos. Essa falta de previsibilidade é algo que causa desconforto na hora de pensar em projetos do tipo, e mesmo que a empresa esteja economizando mais do que deve nos pagamentos, ainda assim, as coisas não funcionam muito bem por aqui ainda.

Um pouco da história…

Esse modelo de negócios, de performance,  surgiu no final da década de 70 nos Estados Unidos. Como resultado da crise energética mundial que estava ocorrendo, os preços de energia começaram a subir muito e novas soluções começaram a aparecer no mercado. Um dos exemplos foi a Time Energy, uma empresa no Texas que criou um dispositivo de automação para desligamento de lâmpadas e outros equipamentos. Naquela época, o mercado ainda não conhecia a quantidade de energia que é desperdiçada com sistemas ociosos e o potencial de economia que dispositivos do tipo podem trazer, então a solução era vista com ceticismo. Para provar o contrário e demonstrar ao mercado que o dispositivo era sim uma ótima maneira de realizar economias, a empresa se ofereceu para instalar o dispositivo por conta própria e só depois das economias acontecerem, receber o pagamento sobre a porcentagem destas mesmas economias. O resultado é basicamente o modelo de negócios de uma ESCO que vigora até hoje. 

BOT (Build, Operate and Transfer)

Um modelo bem mais comum no Brasil e que acontece bastante por aqui é o B.O.T.. A ESCO ainda será responsável por realizar todo o projeto, assumindo todos os riscos, responsabilidades e custos iniciais do projeto. Isso inclui os equipamentos, projetos, insumos, mão de obra de implementação, operação, etc. Esse tipo de projeto pode ser implementado em diversos tipos de sistemas como equipamentos de resfriamento comercial e industrial (Chillers), sistemas de tratamento de água, de resíduos, e muitos outros.

O cliente que recebe o projeto não remunera a ESCO através de performance, mas sim através de pagamentos mensais APÓS a implementação do projeto, economizando assim seus próprios recursos nas fases de implementação. Após implementado, a própria ESCO permanece no local, sendo responsável por toda a manutenção e operação otimizada do sistema (com o intuito também de ser eficiente no uso de recursos), até a data acordada seja atingida e o ativo seja transferido para a empresa cliente.

Rafael Turella

Engenheiro ambiental pela UNESP e mestre em Sistemas Sustentáveis com ênfase em Energia pelo Rochester Institute of Technology. É co-fundador da CUBi e atualmente responsável pela área de marketing e vendas.

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