Potência ativa e reativa – o que são e como afeta a sua empresa

Ao comprar equipamentos que usam energia elétrica, nos deparamos com algo em comum: eles sempre nos informam sua potência elétrica. Isso é verdade para itens desde os que possuímos em casa, como um ventilador e chuveiros elétricos como para grandes consumidores e indústrias, geralmente com motores, bombas, máquinas pesadas, etc. A informação de potência elétrica sempre será uma das mais relevantes na hora da compra, mas por que a Potência ativa e reativa é tão importante?

Potência ativa e reativa

O que é potência elétrica? 

De uma forma prática: a potência elétrica é a taxa de energia elétrica fornecida ou consumida em um circuito elétrico. É essa informação que nos dá noção do quanto aquele equipamento está convertendo energia para realizar a sua função. Então a partir disso, se compararmos por exemplo dois motores elétricos um de 10 CV e outro de 20 sendo CV cavalo-vapor, equivalente a 735,5 W), o que estamos comparando na verdade é a capacidade que cada um tem em gerar força mecânica transformando a energia elétrica em movimento, colocando neste exemplo os dois para puxar uma carga de 1000 kg o motor de 10 CV poderá ter dificuldade e até mesmo não conseguir, porém um de 20 terá mais facilidade porque sua capacidade de realizar trabalho (força mecânica), ou seja, sua potência é maior.  Porém, eles sempre nos descrevem como “potência”, quando na verdade o que realmente é informado é a potência ativa. Mas quais seriam as outras formas de potências “ocultas” aos consumidores comuns. 

A potência elétrica se divide em três. Potência aparente (S), medida em VA (volt-ampère), é a potência total disponibilizada (seja por geradores, transformadores, etc.), a potência ativa que é a forma mais conhecida de potência elétrica e a mais comum de escutarmos por aí no dia a dia e a potência reativa, responsável pelo princípio de funcionamento dos dispositivos. Vamos falar um pouco sobre cada uma delas.O que é potência ativa?

A potência ativa (P), medida em W (watts), porém mais comum em kW,  é a que realmente irá representar a capacidade da potência elétrica de realizar trabalho propriamente dita, ou seja, da capacidade daquele equipamento em questão de fazer a energia elétrica se transformar em outra forma de energia, como energia mecânica ou térmica. No caso de motores elétricos, é comum vermos as unidades de medida CV e HP, onde CV, cavalo-vapor é o equivalente a 735,5 W e HP, horse-power 745,7 W. 

De forma prática agora, se tivermos um maquinário com a informação “1500W”, você já sabe que é da potência ativa que está se referindo, e ela te dá uma ideia da capacidade dele de “produzir” seu trabalho em questão. Mas qual seria então a outra componente de potência elétrica?

Potência ativa e reativa

A potência reativa, medida em VAr, mais comum no multiplicador por mil, kVAr, por outro lado, é a potência elétrica que não realiza trabalho, ou seja, não é transformada naquilo que você realmente deseja ao ligar um motor (força e movimento) ou uma lâmpada (luz), mas sim a potência responsável pela ativação dos campos eletromagnéticos dos equipamentos e dispositivos para que eles possam realizar o trabalho, afinal o nome reativa vem propriamente de sua propriedade de não ser ativamente utilizada, mas sim uma reação causada pela passagem de corrente naquela carga característica.

Lembre-se: potência elétrica é uma só, as potências ativas e reativas nada mais são que as duas componentes que compõem a potência aparente total. Para nos ajudar a entender essa relação recorremos sempre ao bom e velho triângulo de potências. 

Triângulo das Potências - Potência aparente, ativa e reativa
Triângulo de Potências

É algo errado pensar que a potência reativa é algo totalmente inútil, ou sujo, uma vez que ela é necessária principalmente em lugares em que as cargas são predominantemente dependentes de enrolamentos, como motores por exemplo. Porém um equilíbrio deve ser mantido, uma vez que o excesso da potência reativa pode causar problemas.

Como a Potência reativa afeta a sua empresa?

O excesso de potência reativa pode acarretar em problemas ao consumidor e à rede distribuição, uma vez que seu excedente faz com que a corrente elétrica aumente e não sendo efetivamente utilizada, causando perdas elétricas, sobreaquecimento dos condutores e subutilização da capacidade total instalada, já que a reativa “ocupa espaço” que poderia ser de potência ativa que realmente realiza trabalho.

Esses são alguns dos motivos que a legislação exige um fator de potência mínimo, (como já falamos no artigo de Fator de Potência) sendo o valor de 0,92. O fator de potência é uma forma de se medir a eficiência da potência elétrica, é a relação de quanto da potência aparente total está realmente sendo transformada em trabalho. Dessa forma, as unidades do grupo A devem ter uma eficiência de 92%. 

O baixo fator de potência, ou seja, excesso de reativos, pode ser cobrado pelas concessionárias como multa na fatura de energia elétrica, podendo parecer com vários nomes diferentes: FER (faturamento de energia reativa), UFER (unidade de faturamento de energia reativa), ERE (Energia Reativa Excedente), UDR, consumo reativo, etc. São várias nomenclaturas, mas o problema é um só. 
Aqui já deu para  ver a importância em se acompanhar o fator de potência na sua unidade e ter noção da quantidade de reativos. Temos muitos casos aqui na CUBi onde nosso sistema é usado para identificar, diagnosticar e corrigir o Fator de Potência. Temos inclusive um artigo focado nesse tema de correção de Fator de Potência

Matheus Campinho

Graduando em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)

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