investimento em eficiência energética

Como priorizar o investimento em eficiência energética?

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O acesso à informação, tecnologias e sistemas mais eficientes tem sido cada vez menos restrito. Por isso, indústrias de pequeno e médio porte têm se deparado com um número cada vez maior de possibilidades para abordar o tema de eficiência energética. Aumentam também o número de gestores indecisos sobre qual caminho tomar ou como priorizar ações de eficiência energética. Afinal, como devemos priorizar as ações de eficiência? Como garantir que investimos primeiro nos projetos de maior retorno? Como distanciar minha estratégia de investimento em eficiência energética de premissas sem fundamentos técnicos? Vamos responder essas perguntas neste artigo!

 

Tipos de eficiência energética

O primeiro passo é mapear as oportunidades. Ok, mas essa é a parte mais difícil e provavelmente você já sabia, certo? Nós já temos um artigo dedicado à explorar o processo de mapear as oportunidades, dê um pulo lá se você ainda não leu (LINK). De qualquer forma, o que importa saber agora é que o processo requer qualificação e conhecimento tanto no processo industrial quanto sobre tecnologias que podem economizar energia. O processo pode ser dividido em três etapas e deve responder às seguintes perguntas:

 

 

Mapeamento de cargas
Onde, quando e como a energia elétrica é consumida?

Diagnóstico
Quais são os problemas? O que consome mais do que deveria? O que gera custos desproporcionais?

Proposições
Quais as soluções para os problemas apontados anteriormente? Qual o potencial de economia? Quanto custa?

 

O processo completo pode levar algum tempo. No mapeamento de cargas o tempo é necessário para se observar o padrão de consumo e sazonalidade, fundamentais para um diagnóstico de qualidade. Nas proposições, o consumo de tempo fica por conta de horas técnicas de especialistas e orçamento de fornecedores.

 

Mapa de oportunidades, a curva de custo e potencial de economia de energia

Vamos dizer que você já passou por todas etapas mencionadas. Como então priorizar? Verdade seja dita, não existe uma forma única de priorizar. A metodologia utilizada vai depender do que o consumidor valoriza mais. Note que todas as ações de eficiência energética trazem também outras implicações que podem ou não estar alinhadas à estratégia de sua empresa. Um exemplo simples: troca e otimização dos compressores. É necessário avaliar se algum aspecto de segurança e operação são afetados entre o sistema atual e o proposto. Talvez um novo sistema, além de mais eficiente, acompanhe mais segurança operacional com a implantação de redundâncias, por exemplo.
Também é importante lembrar que quando um investimento já está programado, como a troca de um equipamento por outro, com um valor adicional é possível adquirir um equipamento eficiente, em geral mais caro. Neste caso, a avaliação financeira deve considerar apenas o investimento em eficiência energética adicional, uma vez que a aquisição do equipamento padrão já ocorreria.

 

Como construir

Na curva, as oportunidades de eficiência são ordenadas do menor custo para o maior custo. O eixo horizontal apresenta o potencial de economia acumulado das oportunidades. Por exemplo, se o gráfico termina em 100 kWh/ano, significa que a soma do potencial de todas as oportunidades apresentadas totaliza 100 kWh/ano. Para analisar cada medida individualmente, basta observar os “degraus”, sendo a largura o potencial de conservação daquela ação de eficiência, e a altura o custo por unidade de energia conservada.
Os potenciais são indicados em unidade de energia que pode ser conservada em um determinado intervalo de tempo. O custo líquido é o custo decorrente da conservação de uma unidade física de energia, adotando assim unidades como R$/kWh. Com isso é possível representar graficamente, de maneira simples, quais são os potenciais e os custos relacionados às ações de eficiência energética identificadas durante a análise. Essa curva deve necessariamente passar por atualizações rotineiras, já que o preço que se paga na energia, a disponibilidade de novas tecnologias, disponibilidade de capital e estratégia da empresa mudam constantemente.

 

Interpretação dos quadrantes

No gráfico sempre existirão dois quadrantes importantes. O quadrante com custos negativos por unidade de energia se refere à ações de eficiência energética que se justificam financeiramente. Ou seja, essas ações têm um maior retorno econômico do que custo. Entre essas alternativas ainda existe um ranking sobre qual delas pode trazer o maior retorno por unidade energética (ações da extrema esquerda) e ações com maior potencial de eficiência acumulada (ações de maior amplitude na horizontal).
O outro quadrante é o quadrante de custos positivos. Ele representa ações em que não há retorno do investimento, ou, “não se pagam”. Isso não significa que essas ações são ruins ou não devam ser consideradas. Para essas ações deve-se certificar que todos os aspectos, custos e economias foram considerados para garantir que uma avaliação justa foi desenvolvida. Além disso, deve-se avaliar casos em que exista retorno intangível para a empresa (e que pode ter tanto valor quanto a economia financeira). Esse segundo quadrante é usualmente onde governantes focam o desenvolvimento de políticas públicas para que, ao utilizar taxas, incentivos e plataformas de financiamento, torne essas opções economicamente viáveis e atrativas economicamente.

Investimento em Eficiência Energética

Conclusão sobre o investimento em eficiência energética

Imagine agora se você tivesse uma curva dessa customizada para sua realidade? O desenvolvimento dessa curva é fundamental para mapear as opções de investimento e retorno que uma empresa pode ter e com esse olhar integral, tomar decisões conscientes sobre como alocar o orçamento de investimentos. Usualmente essa curva é feita pensando em uma lógica setorial ou até mesmo de regiões geográficas, no entanto, a aplicação no nível do consumidor final é fundamental para construir uma cultura de eficiência energética e alicerce técnico para a estratégia de investimento em eficiência energética.
Sistemas de monitoramento de energia são ferramentas poderosíssimas na hora de realizar o levantamento de informações reais do consumo de cada sistema e também de realizar o acompanhamento depois de tomadas as medidas de eficiência planejadas. Se quiser saber mais informações de como um sistema de monitoramento inteligente pode te ajudar a tomar melhores decisões, entre em contato AQUI.

 

 

Ricardo Dias    
Engenheiro ambiental e urbano pela UFABC e mestre em Sistemas Sustentáveis com ênfase em Energia pelo Rochester Institute of Technology. É co-fundador da CUBi onde atua como gestor de operações

 

 

 

 

Fonte: http://www.epe.gov.br/sites-pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/PublicacoesArquivos/publicacao-251/topico-311/DEA%2011-16%20-%20CCP_metodologia[1].pdf

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