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Gestão energética na Produção Têxtil

Aqui na CUBi já falamos de gestão energética de diversos setores industriais, como o setor têxtil é um dos grandes consumidores de energia elétrica e um dos que mais avançou em seu consumo nos últimos anos (mais neste link), representando cerca de 3,2% do consumo no país em Janeiro deste ano, segundo dados da EPE. Com este aumento de consumo somado ao crescimento da produção, surge a necessidade de melhorar a gestão energética na produção têxtil, evitando desperdícios e reduzindo custos, e é sobre isso que iremos falar a seguir. 

Importância e impacto de Gestão energética na Produção Têxtil

Atualmente a energia elétrica representa cerca de 15% nos custos de uma indústria têxtil segundo a ABIT, Associação Brasileira de Indústria Têxtil , isso afeta não somente o valor da fatura de energia mas também no custo final de produção. 

Redução do valor da fatura é o que chama a atenção de grande parte dos gestores industriais. Isso pode ser obtido através da eficiência energética onde é possível aumentar a produção consumindo a mesma quantidade de energia, é o famoso “fazer mais com menos”. Além é claro da geração de valor intangível como a contribuição para a agenda de ESG e também para a resiliência energética e competitividade da indústria.

Tipos de indústria têxtil

Para entendermos melhor a gestão energética na produção têxtil, devemos falar um pouco mais sobre os tipos de indústrias têxteis presentes no mercado. Existem basicamente dois tipos: as integradas e as especializadas. As integradas são aquelas que atuam em diversos segmentos da cadeia produtiva têxtil: desde a fiação e tecelagem e podendo chegar no beneficiamento/tinturaria e confecção. Já a indústria especializada, como o próprio nome diz, é aquela que foca em apenas uma etapa da produção. 

Mas por que é importante diferenciar? É importante por alguns motivos, nesse artigo vou falar de dois: o tipo de maquinário e os indicadores que podem ser utilizados para o acompanhamento das métricas da empresa. Ao entender essas diferenças o próximo passo é desenvolver a métrica de acompanhamento de performance energética ideal para seu negócio.

Pegando por exemplo as indústrias integradas, é muito importante fazer o rateio setorial  e saber o quanto cada processo impacta no consumo final de energia elétrica na unidade, 

e assim saber qual o nível de importância de cada área em se trabalhar com eficiência energética. 

Após saber o quanto cada etapa da produção integrada contribui na energia você saberá onde devem estar suas prioridades na hora de fazer gestão energética. 

Já numa indústria especializada, não temos o rateio por múltiplos setores de produção distintos, apenas o rateio das máquinas (entre elas) e das partes não relacionadas com a produção (escritório, administração, refeitório, etc.) e a criação de indicadores específicos para o setor  específico da indústria em questão. 

Pegando por exemplo a indústria de fiação, é interessante saber o quanto de energia é utilizado para a conversão das fibras em fios, sejam elas sintéticas ou naturais, o indicador aqui seria uma simples divisão do quanto de energia é utilizada pela quantidade produzida, podendo ser, por exemplo, por peso ou por comprimento de fio produzido (kWh/kg ou kWh/m).

Porém o desafio não acaba aí, tendo estes indicadores calculados é necessário também saber os indicadores de referência da média da indústria/concorrentes/peers. Com essas informações é possível traçar metas de onde se quer chegar através desses indicadores de referência, aí que entra o benchmarking.

Um exemplo de valor de benchmarking, que já mostramos aqui, seria por exemplo para fiação de fibras sintéticas, no processo de extrusão (em tubos), que o indicador é de 0,51 kWh/kg (kWh gasto para produzir cada kg) processado. Já para um indústria integrada, existe o valor de consumo energético específico em kWh/t (kWh gastos para cada tonelada produzida) no valor de 4491 de tecido produzido, ou seja, aproximadamente 4.5 MWh gastos para cada tonelada de tecido produzido pela indústria. 

Outro benchmark que temos visto dar certo na nossa base de clientes é o kWh por peças de roupas produzidas, onde temos o benchmark de mercado de cerca de 1,27 kWh/peça produzida.

Dificuldades sempre encontradas na hora de gerir energia

Fazer a gestão da energia de uma indústria nunca é fácil, uma vez que envolve pessoas, números e processos que devem estar todos alinhados e trabalhando a favor da eficiência, logo é comum os gestores ficarem sem um caminho definido. 

As principais dificuldades encontradas por eles são a falta de pessoal capacitado, falta de tecnologia e automação e falta de monitoramento, este último por sua vez também causa também a falta de indicadores e de métricas necessárias para o controle da cadeia produtiva. Apenas através de medição – não apenas de energia elétrica -, que é possível encontrar onde estão as ineficiências e onde se encontram as oportunidades de melhoria. 

Oportunidades e impactos de se fazer a Gestão energética na Produção Têxtil

Como dito anteriormente e também já falamos aqui, para qualquer indústria avançar na área de gestão energética ela deve entender onde ela se encontra no processo de maturidade energética

Ao entender onde sua empresa se encontra podemos definir aonde queremos chegar e os passos para chegar lá. O primeiro deles, se ainda não foi realizado, é a adição do monitoramento de energia elétrica. 

Esse pode ser feito por medição de entrada, que é mais simples e te dá uma visão do gasto de energia elétrica por inteiro da unidade com informações de consumo, demanda e fator de potência, através dela você consegue saber o quanto de eletricidade da indústria por um todo é necessário para realizar sua produção. 

O problema é caso alguma máquina ou setor em específico esteja com baixa performance, ou ainda, se uma sala em específico fica com um equipamento ligado fora do horário produtivo, não será possível ver exatamente de onde está vindo esse gasto, nestas situações o que vai poder atender é a submedição

Através de monitoramento de submedição você pode saber exatamente quanto cada máquina, ou cada setor, impacta no consumo final, através dela você poderá criar métricas para entender quais máquinas devem ter uma maior atenção por baixo rendimento (verificação do fator de potência, manutenções, redimensionamento da máquinas ou até mesmo troca) ou quais setores estão gastando mais do que deveriam (refrigeração, administração, etc.). 

Outra aplicação interessante da submedição é a repartição entre o escritório de administração e a parte realmente produtiva, que pode ser utilizado para recuperação de ICMS, evitando bitributação. 

Levando em consideração que cerca de 88% da energia elétrica utilizada em uma indústria têxtil é consumida pelos motores, uma solução que possa identificar o quanto cada máquina/motor representa nesse consumo se torna fundamental. 

Se você deseja iniciar ou melhorar o processo de eficiência energética na sua empresa, entre em contato conosco!

Matheus Campinho

Graduando em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)

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