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Desafios de Gestão no Mercado Livre de Energia 

Se mercado livre de energia elétrica no Brasil é bastante complexo, imagine a gestão no mercado livre de energia? Muitas vezes, até mesmo aqueles profissionais já inseridos no mercado precisam se esforçar para resolver algumas situações, e isso se dá por vários motivos. Regras específicas e em constantes mudanças, falta de conhecimento do mercado por parte dos consumidores e alto nível de trabalho manual (ou pouco automatizado) estão entre os grandes desafios que gestores, comercializadores e até mesmo clientes finais sofrem ao adentrar e permanecer no mercado livre de energia. Mas como superar os desafios na gestão no mercado livre de energia elétrica?

Desafios de gestão no mercado livre

O ambiente de contratação livre (ACL), mais conhecido como mercado livre de energia, é um modelo de contrato em que a compra da eletricidade ocorre de maneira bilateral, diretamente com seu fornecedor. Segundo dados da CCEE, o mercado livre de energia encerrou o ano de 2022 com uma participação de 36,4% de todo o consumo nacional. Esse tipo de mercado não é novo e se encontra no país há mais de 20 anos, porém, seu processo de abertura – ou seja, a redução nos requisitos para que as empresas participem desse modelo – está ocorrendo gradualmente até hoje. Já falamos aqui no blog da CUBi sobre o mercado livre de energia e também do seu processo de abertura. Caso queira ler sobre eles, clique aqui. Neste artigo, focaremos apenas nos desafios da gestão no mercado livre de energia e como superá-los.

O mercado livre de energia (muitas vezes chamado popularmente de portabilidade da conta de luz) tem a capacidade de reduzir os preços energia através do aumento da livre concorrência e competição, bem como fomentar energias de fontes renováveis, uma vez que o consumidor pode escolher a fonte da qual deseja comprar energia. Porém, a gestão no mercado livre de energia sofre de diversos obstáculos que precisam ser superados, principalmente em questão de regulação e estrutura.

A abertura gradual do mercado livre de energia aumentará significativamente todos os desafios já existentes para os participantes desse mercado. Isso se dá pela alta demanda, mudanças regulatórias rápidas e aumento na concorrência.

Os principais desafios do mercado livre de energia

Podemos separar esses desafios enfrentados na gestão no mercado livre de energia em duas frentes: os desafios externos e os desafios internos. Os desafios externos são aqueles intrínsecos ao mercado de energia, sua estrutura e seu modelo. Estes são praticamente impossíveis de se manter sob controle, uma vez que estão distantes. Eles se manifestam na legislação, estruturação e regulação de mercado. Para contornar esses desafios, cabe o conhecimento aprofundado visando o entendimento e previsão de possíveis riscos na caminhada, dessa forma será possível se aproveitar o máximo das situações postas e das regras estabelecidas.

Desafios de gestão no mercado livre

Alguns dos principais desafios externos:

  • Insegurança jurídica: o mercado de energia livre é marcado pelas mudanças regulatórias. As empresas precisam estar preparadas para atualização e adaptação com essas mudanças. Além disso, a atual abertura de mercado tem ocorrido de maneira infralegal, ou seja, através de portarias e resoluções, sem uma lei específica que dê base legal suficiente para que sua expansão ocorra sem riscos. Essa insegurança jurídica deve ser levada em consideração e até mesmo calculada na gestão de riscos.
  • Complexidade contratual: os contratos no ACL precisam de uma gestão inteligente e personalizada. Esses contratos contêm diversas informações que precisam de análises aprofundadas, como volumes de energia, prazos, períodos, penalidades, entre outros. Dessa forma, as empresas participantes precisam de um leque de informações que auxilie na melhor tomada de decisão contratual para a unidade.
  • Volatilidade dos preços: diferentemente do mercado regulado, em que os preços são estabelecidos de maneira fixa no processo tarifário e sofrem reajustes ao longo do contrato, os preços por energia elétrica no mercado livre podem sofrer de alta volatilidade, principalmente quando expostos ao mercado de curto prazo. Isso pode dificultar a gestão de custos e previsão de receita. Dessa forma, é necessário acompanhar a formação de preços nesse mercado.
  • Alta competitividade: muitas empresas enfrentam o desafio de iniciar sua entrada no mercado de energia livre. Isso ocorre pelo fato de que os grandes grupos empresariais já estão acompanhando essa nova tendência e se posicionando no mercado (mas é claro que sempre há espaço para mais um). Além disso, as empresas que já estão inseridas no mercado sofrem para ter um diferencial que as destaque diante de suas concorrentes.

Já os desafios internos são aqueles que dependem apenas da organização estrutural da empresa e de seus processos, independentemente dos fatores externos. Aqui estão as dificuldades totalmente manejáveis. São essas que devem ser superadas para a realização de uma gestão de qualidade, saindo na frente para aquisição e fidelização de clientes neste mercado tão competitivo.

Alguns exemplos de desafios internos da gestão do mercado de energia elétrica são:

  • Baixo nível de automação: muitos dos processos necessários para a realização da gestão do mercado livre de energia são feitos de maneira manual ou com baixo nível de automação, o que desacelera os procedimentos realizados, além de inviabilizar o aumento de escala da operação. É comum em empresas de comercialização e gestão que as informações de determinadas unidades consumidoras se percam ou sejam confundidas ao passar entre os setores de backoffice, middleoffice, etc. O uso de tecnologia pode ser aliado na agilidade e confiabilidade dos dados.
  • Falta de monitoramento da unidade: o mercado livre é muito vantajoso, mas também bastante rigoroso. É necessário uma gestão que acompanhe a unidade consumidora desde a sua entrada no mercado livre de energia e toda a sua caminhada nesse ambiente de contratação, levando em consideração toda a personalização do consumo realizado, visando impedir que a unidade saia dos padrões contratados e sofra penalidades ou pague valores acima do planejado.
  • Visão unilateral: esse é um desafio muito semelhante ao anterior: ao entrar no mercado livre de energia, é comum se “acomodar” e imaginar que somente a entrada nesse modelo trará toda a redução dos custos com energia elétrica. Essa visão unilateral impede que outras oportunidades de economia de energia sejam consideradas e até mesmo monitoradas, como multas por reativos, demanda mal otimizada, viabilidade de geração e até mesmo viabilidade de retorno ao mercado regulado.

Como superar esses desafios?

A forma mais ágil e eficiente para superar esses desafios é a tecnologia. O uso de tecnologia alinhado a uma plataforma de gestão de energia que reúna os dados de fácil visualização e análise para que sejam tomadas decisões baseadas em dados concretos e confiáveis das unidades consumidoras. O monitoramento dessas unidades, seja monitoramento de entrada ou submedição, permite mostrar os dados de consumo, demanda e grandezas elétricas para visualização e acompanhamento, com a opção ainda de criar alertas quando a unidade consumidora estiver passando de determinados limites (como aqueles estipulados no contrato de energia).

Além disso, através da coleta e processamento automático de faturas, acabou a necessidade de entrar na agência virtual em busca de cada uma das faturas das unidades consumidoras e ainda por cima ter que digitá-las em extensas e trabalhosas planilhas no Excel. A automação e o uso de tecnologia liberam tempo para focar no que realmente importa: a satisfação do cliente.

Com essa gama de dados reunidos em uma plataforma, vários algoritmos serão capazes de rodar as diversas oportunidades que possam ser viáveis para as unidades consumidoras. Além disso, através das visualizações e análises disponibilizadas, a tomada de decisão e gestão do cliente no mercado livre de energia se torna muito mais ágil e eficaz, facilitando a superação dos diversos desafios que possam ser encontrados pela frente.

Quer saber como a CUBi pode ajudar na gestão de energia da sua empresa de saneamento? Clique aqui e fale com a nossa equipe!

Matheus Campinho

Engenheiro eletricista pela UFMT. Atualmente cursa a especialização em comercialização de energia elétrica na UNINASSAU.

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