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Níveis de Gestão de Energia no Saneamento Básico

A gestão de energia em empresas de saneamento pode assumir diversas formas diferentes. Não há uma solução que se adapte a todas operações e é exatamente por isso que nesse artigo sobre os níveis de gestão de energia no saneamento básico, vou trazer um ponto fundamental para que o gestor ou a gestora de energia em uma empresa de saneamento conheça a jornada de gestão de energia típica para esse tipo de operação. A ideia é fornecer insights sobre desafios que podem estar à sua frente e também oportunidades que você já tem na mão

A importância da Gestão de Energia no Setor de Saneamento

Se você está lendo esse conteúdo eu não preciso falar muito sobre a importância da gestão de energia em empresas de saneamento, certo? Ainda assim, acho que vale a pena posicionar um único conceito que precisa estar na cabeça de todas pessoas envolvidas na gestão de energia em indústrias de saneamento. No setor de saneamento, o gerenciamento inteligente de energia desempenha um papel duplo: assegurar o fornecimento contínuo e confiável dos serviços essenciais e reduzir custos operacionais significativos associados ao consumo energético.

Por experiência, equipes de gestão de energia no saneamento que mantêm esses dois conceitos na cabeça, dificilmente erram uma decisão. Note que a partir desses dois conceitos o viés ambiental e social também podem ser derivados, e a adoção de práticas sustentáveis se torna algo natural, consistente e claramente conectado à estratégia de negócio. Uma gestão eficaz de energia não apenas contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa, mas também possibilita economias financeiras substanciais, permitindo que as empresas invistam em infraestrutura, tecnologia e aprimorem os serviços prestados à população. Para quem sempre fica com aquela pulga atrás da orelha sobre a imaterialidade e dificuldade de definição do tal do ESG (Environmental, Social and Governance, em português: Ambiental, Social e Governança), esse é um bom exemplo de estratégia que orienta uma operação baseada em ESG, sem firulas, sem jogada de marketing.

Níveis de Gestão de Energia no Saneamento Básico (Maturidade)

A jornada entre os níveis de gestão de energia no saneamento básico não é linear, e as empresas de saneamento são encontradas em diversos estágios de maturidade. Além disso, ao contrário do que muitos pensam, um estágio de maturidade não tem nenhuma relação com a adoção de um produto ou serviço necessariamente.

A maturidade tem muito mais a ver com os objetivos, estratégia e o momento em que a empresa está. Ou seja, eu não estou aqui pra te falar que empresas que usam ferramentas como a da CUBi são mais maduras (e isso realmente não é verdade). Eu estou aqui para te mostrar quais são as práticas que as equipes de alto rendimento tem e como foi a jornada delas entre os níveis de gestão de energia no saneamento básico, até chegar nesse ponto. Combinado? Bora lá!

No nível mais básico, a abordagem é tipicamente contábil, em que o foco é apenas pagar as faturas de energia em dia. Entretanto, à medida que as organizações amadurecem, entram em uma fase de informações, onde iniciativas pontuais de gestão e eficiência energética são adotadas, mas sem uma integração completa entre as áreas. O próximo estágio é o da sobrevivência, em que um sistema único de gestão de faturas já é implementado, mas desafios como a falta de uma equipe específica para tratar do assunto persistem.

A partir desse ponto, as empresas alcançam o nível competitivo, com uma equipe dedicada e acesso a dados de consumo em tempo real, avançando, finalmente, para a governança, onde uma estratégia integrada é construída, comunicada e traduzida em ações práticas e prioridades orçamentárias bem definidas. Nesse artigo examinaremos cada uma dessas etapas em detalhes, destacando os obstáculos a serem superados e os benefícios a serem alcançados em cada nível.

Para quem não é leitor assíduo aqui do blog da CUBi, vale a pena dar uma olhada no artigo em que detalhamos nosso método para identificar os níveis de maturidade em gestão energética de qualquer indústria.

Nesse artigo faremos um pouco diferente. Vamos detalhar cada nível aplicado especificamente ao setor de saneamento e apontar quais são as principais dores identificadas em cada nível. Note que sempre pela descrição da dor é possível chegar a um indicador para quantificar essa dor.

E essa é a chave para você, pessoa que é gestora de energia na indústria de saneamento, usar esse indicador e fazer o exercício de quantificá-lo e acompanhá-lo para sua operação. É dessa forma, com dados, que a maioria dos saltos entre níveis acontece, vou detalhar isso mais adiante. Sem mais delongas, vamos aos níveis!

Nova call to action

Nível: Contábil

Usam a fatura de energia para pagar. O desafio é apenas pagar a fatura no prazo, não há uma equipe dedicada à gestão de energia de forma estrutural nem pontual. Quem sofre aqui é a área de contas a pagar.

Dores: 

  1. Multas por atraso de pagamento causadas pelo atraso na coleta das faturas;
  2. Trabalho operacional manual envolvido na coleta de faturas;
  3. Atraso na emissão de faturas pelas distribuidoras de energia causa retrabalho nas contabilizações internas;

Como resolvem a dor:

  1. Tem uma equipe de coleta de faturas (e sobra sempre para o(a) analista júnior ou para estagiário(a)) ;
  2. Contratam uma solução de automação de coleta ou desenvolvem uma internamente;
  3. Fazem acordos informais com as distribuidoras para entrega de faturas agrupadas;
  4. Fazem (ou tentam fazer) integrações com o ERP para automatizar o fluxo.

Quando a equipe de contas a pagar descobre que a fatura de energia venceu!

Nível: Informação

Existem iniciativas pontuais de gestão de energia e ações de eficiência energética sem conexão com uma estratégia única. A falta de comunicação e integração entre áreas de contas a pagar e áreas de gestão de energia podem causar retrabalho e ineficiência. Um exemplo comum é “o carinha da manutenção” conduzindo uma ação de eficiência energética lutando sozinho lá pra conseguir medir resultado e testar sua solução proposta.

Planilha para digitalização de faturas

Dores: 

  1. Equipes internas perdem tempo por não existir um sistema único de gestão de faturas de energia, o que exige constante retrabalho;
  2. Equipes específicas tentam conduzir ações de eficiência energética pontuais e sofrem por falta de dados tanto de telemetria quanto de faturas.

Como resolvem a dor:

  1. É a etapa em que começamos a ver planilhas internas tentando organizar o fluxo de informação, principalmente entre contas a pagar e áreas de manutenção;
  2. Para coletar os dados necessários aos projetos pontuais de eficiência energética é comum que exista a figura do “leiturista”, uma pessoa que vai até os quadros elétricos e anota a diferença de consumo entre duas datas diferentes ou mesmo registrar o nível de demanda, tensão e corrente instantânea.
  3. Em alguns casos é possível observar a utilização do próprio sistema de controle e automação para extrair dados, o pessoal da sala de controle fica louco com os pedidos constantes;
  4. Em casos mais avançados, as equipes internas buscam fornecedores para telemetria de cargas específicas.
Níveis de Gestão de Energia no Saneamento Básico

Quando você tenta juntar as informações de energia sem um sistema integrado!

Nível: Sobrevivência

Nesta etapa um sistema único e integrado de gestão de faturas de energia já é implementado. O conhecimento sobre energia tanto do ponto de vista de contratação de energia, quanto do ponto de vista técnico sobre soluções e oportunidades de eficientização da operação dão os primeiros sinais de integração. A área de contas a pagar não é mais protagonista.

Dores: 

  1. Para centralizar a gestão de faturas é comum que as equipes tenham dificuldades na consolidação dos dados sobre credenciais de acesso às faturas no portal das distribuidoras;
  2. Ainda existem problemas decorrentes da inexistência de uma equipe específica que trate a gestão de energia e faz com que não exista um orçamento definido para tratar o tema de forma mais estruturada.

Como resolvem a dor:

  1. Procurações e contato direto com as distribuidoras de energia são fundamentais para resolver a questão das credenciais de maneira organizada;
  2. Constantes idas à sala do(a) gerente ou diretor(a) para pedir orçamento para atividades relacionadas à gestão de energia.
Níveis de Gestão de Energia no Saneamento Básico

Quando finalmente conseguem estruturar uma equipe de gestão de energia!

Nível: Competitivo

Nesta etapa a principal característica observada nas empresas de saneamento é que uma equipe para tratar o tema de forma centralizada já existe. Além disso, também começam a contar com sistemas de coleta de dados de consumo de energia em tempo real, a famosa telemetria. Nesse estágio as práticas de gestão de energia específicas de saneamento apontadas nesse artigo já começam a ser vistas.

Infográfico monitoramento de energia

Dores: 

  1. Com a alta disponibilidade de dados, as equipes internas começam a sentir a necessidade de se capacitar na análise e tratamento de bases de dados mais extensas;
  2. Gestão da infraestrutura de monitoramento impõe mais uma agenda para as equipes de manutenção;
  3. Com a disponibilidade de dados, muitos projetos de eficiência começam a ser propostos e não há um processo de avaliação e priorização definido.

Como resolvem a dor:

  1. Cursos e treinamentos internos são comuns, além de ver a abertura de vagas com requisitos de habilidades fortes de análise e apresentação de dados;
  2. Plataformas com alertas de medidores indisponíveis e disponibilidade dos dados em nuvem ajudam a priorizar a manutenção da infraestrutura de medição;
  3. Primeiros passos de governança e amarração de estratégia para projetos de eficiência energética.
Níveis de Gestão de Energia no Saneamento Básico

Quando a equipe aprende a analisar dados extensos de consumo de energia!

Nível: Governaça

Esse é um nível de maturidade em que uma estratégia de gestão de energia é construída de forma integrada com a equipe de compra de energia, com a equipe de contas a pagar, com a equipe de manutenção e com a equipe de gestão de energia centralizada, se houver. Essa estratégia é claramente comunicada e facilmente se traduz em ações práticas e priorização de tarefas do dia a dia. Além disso, existe orçamento definido tanto para ações de manutenção do sistema de gestão energética quanto para ações de eficiência energética em si.

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Dores: 

  1. Existe uma pressão por resultados de economia de energia decorrente do orçamento e processos de gestão disponíveis;

Como resolvem a dor:

  1. Uso de indicadores de performance ajudam a aferição e demonstração de resultados;
  2. Normalmente existe uma pessoa dedicada à gestão de energia.
Níveis de Gestão de Energia no Saneamento Básico

Quando alcançam a excelência na gestão de energia e veem os resultados!

Como dar um salto de um nível de maturidade para o outro?

Por experiência os saltos acontecem de duas formas: de cima pra baixo ou de baixo pra cima na estrutura organizacional. O movimento de cima pra baixo é aquela canetada do(a) diretor(a) instituindo uma política de gestão energética, um compromisso público de eficiência operacional, uma meta empresarial ou mesmo um realinhamento de estratégia que veio direto do conselho de administração. Em qualquer um dos casos acima você vai sentir a martelada. Por um lado é bom. Os recursos começam a aparecer e há menos sofrimento em conseguir recursos, por outro lado as pessoas operacionais costumam se sentir menos parte do processo decisório e menos “donas” do assunto.

No movimento de baixo pra cima são os colaboradores que precisam levar essa necessidade até as mais altas camadas de decisão da empresa. Pra isso acontecer só existe uma forma de dar certo: use os dados! Metrifique tudo. Em cada um dos níveis acima eu especifiquei a dor comum. Um conceito importante é que uma dor só pode ser uma dor se você consegue medir. Conseguindo medir, metade do caminho está andado! Por exemplo, no nível contábil, uma dor é que existe o pagamento de multas por atraso por conta da não coleta e não pagamento das faturas. Para medir essa dor basta criar um indicador: qual é o percentual pago de multas por atraso nos últimos 12 meses em relação ao total pago em energia? (te adianto que se for maior do que 2% você está bem mal). 

Claro que você não precisa usar as dores exatamente como indiquei aqui, mas o conceito é o que vale e é o que fez todas as empresas que eu acompanhei mudarem de nível de maturidade.

Conclusão sobre os Níveis de Gestão de Energia no Saneamento Básico

O objetivo de todo esse conteúdo é que você gestor(a) de uma empresa de saneamento possa se identificar com um desses níveis de maturidade e planejar como vai dar o próximo salto e se quer dar o próximo salto, se está preparado(a) para as dores que o próximo salto vai trazer e etc… A CUBi tem soluções para ajudar a jornada de maturidade em todos os níveis de maturidade da indústria de saneamento, seja com escopos de serviço em que automatizamos fluxos e potencializamos a capacidade de entrega da sua equipe ou seja agendando um bate papo para trocarmos experiências sem compromisso algum!

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Ricardo Dias

Engenheiro ambiental e urbano pela UFABC e mestre em Sistemas Sustentáveis com ênfase em Energia pelo Rochester Institute of Technology. É co-fundador da CUBi e atualmente CEO.

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