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Gestão de Contas de Energia No Agronegócio

Fazer a gestão de contas de energia no agronegócio é um grande desafio. Desde redução dos benefícios tarifários, problemas de medição para faturamento, novas regras de contratação e geração de energia, entre outros.

O controle e acompanhamento correto dos dados das faturas de energia é imprescindível para prever os gastos com energia das unidades, além de antever possíveis decisões no processo de produção, separando os custos com energia dos os custos com operação.

Para que isso seja feito de forma eficiente, o gestor deve ter conhecimento de todos os dados que compõem a conta de energia, que diferente de um simples boleto de pagamento, é uma grande fonte de informações para a gestão no agronegócio. Neste artigo falaremos de maneira prática, quais são as técnicas mais importantes para fazer a gestão de contas de energia no agronegócio. 

Infográfico monitoramento de energia

A Gestão de Faturas de Energia

Muitas vezes as faturas de energia elétrica podem “passar batido” no processo de gestão das unidades rurais, às vezes por falta de conhecimento técnico, outras vezes por falta de tempo. Dessa forma, os gestores das unidades deixam de usar essas informações valiosas, que podem ajudar em uma gestão mais eficaz das unidades, como por exemplo: identificar potenciais de economia e redução no valor final das faturas. A primeira informação que é indispensável avaliar é a classe/subclasse da unidade.

Encontrada sempre no cabeçalho da fatura de energia, a classe/subclasse da sua unidade é importante para identificar se essa unidade consumidora está realmente enquadrada como ‘rural’. Mas por que isso é importante para a gestão de contas de energia no agronegócio? Por que através dessa classificação, a unidade consumidora em questão se torna apta a receber benefícios tarifários que são específicos para uma unidade que se enquadra corretamente na classificação rural.

Guia para digitalização de faturas de energia

LEMBRE-SE: Uma unidade que se encontra em território rural não necessariamente é uma unidade classificada como rural para fins de tarifação, depende principalmente das informações cadastradas na distribuidora.

No Art. 184 da Resolução Normativa ANEEL nº 1000/2021, temos listados os requisitos para essa classificação. Ainda dentro da classe, é importante verificar também se a subclasse está correta, principalmente para as unidades que têm processos de irrigação. Somente com a subclasse irrigante você terá o direito de tarifas mais baixas no horário reservado.

Sabendo disso algumas distribuidoras até mesmo avisam aos clientes rurais, lembrando de manter seus dados cadastrais atualizados para não perder os direitos tarifários.

gestão de contas de energia no agronegócio

Quando a UC é plurimensal, a distribuidora poderá solicitar ao cliente para realizar a autoleitura, que como o nome já diz, é quando o próprio cliente faz a leitura das informações do medidor da concessionária (o famoso relógio de energia) e repassa essas informações para a distribuidora.

Ao documentar e relacionar essa informação, deve ser levado em consideração: se a fatura foi realmente de leitura confirmada ou faturada pela média, pois só assim teremos os dados reais de consumo para realizar a gestão de contas de energia no agronegócio. Não se preocupe, nesses casos a distribuidora fará a confirmação de leitura e realizará o faturamento devido no próximo ciclo.

gestão de contas de energia no agronegócio
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A Sazonalidade e a Gestão de Energia No Agronegócio

Quando for utilizar os dados de faturas para realizar a gestão de energia da sua unidade, lembre-se sempre que unidades consumidoras rurais podem ter o quadro de energia em locais de difícil acesso, fazendo com o que a medição e faturamento seja realizada de forma plurimensal e pela média

Outro aspecto importante é a contratação de demanda, que deve sempre seguir a sazonalidade da sua operação. Grande parte das empresas participantes ou beneficiadoras do agronegócio têm um modelo de negócios sazonal, ou seja, passa por períodos de atividade operacional intensiva e períodos onde a produção é reduzida, o que é refletindo também no consumo e demanda de energia elétrica.

Isso se dá pelos períodos claros de alternância entre os meses de safra e entressafra, dependendo é claro, da atividade exercida no local da unidade consumidora. Esses termos podem ser confundidos com conceitos mais técnicos da agricultura, então é melhor dividirmos em termos de períodos de uso intensivo e não-intensivo de energia elétrica

Caso a unidade tenha seu cadastro rural correto, ou tenha a sua sazonalidade reconhecida, a demanda faturada será o maior valor entre a demanda medida e 10% da maior demanda medida dos últimos ciclos, conforme o Art. 294 da Resolução Normativa ANEEL nº 1000/2021.

Case de Sucesso - Itograss

Exemplo: digamos que a demanda contratada do mês seja de 500kW e a maior demanda faturada no seu histórico foi de 2000 kW. Se a demanda medida for de 210 kW, a unidade pagará por 210 kW medidos e 0 kW não consumidos. Porém, se a demanda medida for de 110 kW, a unidade irá pagar 110 kW medidos e 90 kW não consumidos (totalizando os 10% da maior demanda faturada no histórico). 

Ou seja, essa unidade tem o benefício de pagar somente a demanda medida (ou ultrapassagem). Caso a demanda contradada não seja não consumida, pode ser um sinal de que um ajuste de demanda deve ser feito, ou um ajuste no cadastro com a distribuidora. Isso é um conhecimento importante para reconhecer se uma unidade rural está faturada corretamente conforme o cadastro. 

Além disso, é importante observarmos dois pontos:

  1. Se a unidade consumidora se encaixa em uma contratação de demanda sazonal e deve adentrar neste aspecto, ou;
  2. Se já está enquadrada, e deve se adequar mês a mês, para evitar a multa por demanda complementar.

Uma forma de controlar esse aspecto é relacionar o histórico de faturas entre demanda contratada e demanda faturada, com o mês de safra e entressafra da cultura da unidade. Caso a demanda faturada não esteja de acordo com a demanda contratada daquele mês, uma nova análise de demanda contratada deverá ser realizada para otimizar o contrato de demanda. 

É importante também documentar o consumo da unidade consumidora, com a separação por posto tarifário ponta, fora ponta e, se for uma unidade irrigante, horário reservado. Isso é primordia em unidades irrigantes, para que possa entender se estão usando corretamente o benefício tarifário de horário reservado.

Para as demais unidades, é importante para realizar a conferência do seu enquadramento tarifário. Se ele está enquadrado de maneira correta no azul ou verde. Falalaremos mais sobre isso ao logo do texto.

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Através das informações de demanda dessa unidade consumidora rural acima, podemos tirar várias informações relevantes como:

  • Primeiro podemos ver claramente que a demanda contratada está escalonada, ou seja, temos uma demanda sazonal que pode variar entre os períodos. Caso essa demanda não estivesse diferenciada entre os períodos, entraríamos em contato com a distribuidora para alteração do CUSD
  • A demanda contratada da unidade consumidora no período não intensivo (ou entressafra), não está otimizada, fazendo com que a unidade pague por demanda não consumida, o que seria uma espécie de multa. Essa demanda contratada deveria ser menor, perto da demanda medida;
  • Em março/23, a demanda que está sendo faturada é de 132 kW, o que mostra que, nos últimos 11 ciclos, a demanda chegou a 1320 kW. Logo, está sendo faturada a 10% desse valor, seguindo o que comentamos acima do faturamento dessas unidades segundo o Art. 294;
  • A unidade pagará uma multa por demanda complementar. Podemos ver no exemplo que a unidade não atinge a demanda contratada em pelo menos 3 meses. Por regulação, a unidade rural ou com sazonalidade reconhecida deve atingir (medir) pelo menos 3 vezes o valor da demanda contratada no mês nos últimos 12 meses. Essa demanda pode ser aferida tanto no período de maior produção quanto de menor produção, por isso o segundo ponto se torna tão importante, uma vez que o valor de demanda complementar pode ser bastante expressivo. 
  • A análise deverá ser feita mensal, sendo imprescindível o acompanhamento da unidade, para evitar a multa de demanda complementar e ajustar a demanda contratada para o nível de demanda medida de cada mês
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Já vimos que são várias informações importantes a serem consideradas na hora de realizar a gestão das suas faturas de energia. Muitas delas carregam potenciais de economia enormes se realizadas da maneira correta.

Porém, ao aumentarmos o número de unidades consumidoras e/ou a quantidade de distribuidoras (unidades em diferentes áreas de distribuição) o gestor de energia do agronegócio poderá achar vários problemas nos seus processos: como a coleta manual de diversas faturas, digitação de todas essas informações em planilhas e posterior análise e visualização desses dados para auxiliar na tomada de decisões. Às vezes esse processo se torna moroso e até mesmo finaliza somente no final do período de faturamento, sendo necessário fazer todo caminho desde o início. 

Pensando nisso, desenvolvemos o CUBi KiP, um sistema de coleta e processamento automatizado de faturas de energia, que oferece gráficos e dados de dashboard que também podem ser exportados facilmente em planilhas para análise.

gestão de contas de energia no agronegócio

Além disso, nossos algoritmos são capazes de coletar esses dados de faturas e calcular automaticamente diversas oportunidades importantes mencionadas no artigo como: ajuste de demanda, enquadramento tarifário, elegibilidade à sazonalidade e muito mais! 

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Aqui na CUBi já temos diversos clientes que usam nosso sistema para uma gestão de faturas automatizada e personalizada, com tecnologia e processos estruturados para identificação de oportunidades de economia específicas para o agronegócio, para conhecer mais sobre a plataforma acesse nossa página de cases!

Matheus Campinho

Engenheiro eletricista pela UFMT. Atualmente cursa a especialização em comercialização de energia elétrica na UNINASSAU.

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