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Como ler a conta de energia da sua empresa

Se você é gestor ou administrador, todo mês deve se deparar com o mesmo dilema: será que sei exatamente o que estou pagando na minha conta de energia? Muitas vezes as faturas de energia não facilitam, são cheias de termos técnicos e “letras miúdas”. Cada distribuidora apresenta informações de uma forma diferente,  o que acaba confundindo muito mais a visualização do que informando de fato. Para entender de vez como ler a conta de energia da sua empresa e entender como você pode economizar mais, continue lendo este artigo. 

meme conta de energia

A conta de energia

A fatura de energia elétrica, ou conta de energia/conta de luz é o documento de cobrança do consumo de energia elétrica faturado e emitido periodicamente pela distribuidora da região que deve ser, obrigatoriamente, fiscal e comercial. Ou seja, nele deve conter as informações de produto e preços (energia elétrica, multa, tarifas), bem como as informações de pagamento e faturamento (código de barras, mês de referência, vencimento, informações bancárias, etc.)

A ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) normatiza as informações que devem estar na sua fatura de energia. Porém, as nomenclaturas utilizadas não são padronizadas, cada distribuidora nomeia os itens da fatura da sua própria maneira, e o porquê disso é simples: não existe um padrão por legislação. Isso causa uma grande confusão em várias empresas, principalmente naquelas que têm unidades consumidoras atendidas por diferentes distribuidoras. Logo, é comum uma distribuidora nomear de “Consumo ponta” e outra distribuidora nomear  exatamente a mesma coisa por “Energia Ativa HP” e outras podem  simplesmente abreviar, como apenas “CNP”. 

Algumas (raras) distribuidoras disponibilizam um glossário para te ajudar a entender os termos utilizados, como é o caso da ENEL-SP e a a Neoenergia/COELBA, mas ainda assim esses glossários geralmente não abrangem todos os termos possíveis e não é incomum que apareçam novos termos que nem mesmo profissionais do mercado sabem o significado.

No  PRODIST – Módulo 11, podemos encontrar  as informações obrigatórias que a distribuidora deve informar na conta de energia:

a)  Identificação do usuário do sistema de distribuição: razão social, CNPJ, endereço, etc. 

b)  Identificação da unidade consumidora ou ponto de acesso: a famosa unidade consumidora ou número de instalação, entre outros nomes. É o código único para a identificação do ponto de entrega de energia (lembrando que em uma empresa pode haver  mais de um).

c) O que é necessário para efetuar o pagamento: código de barras, QR Code do Pix, informações bancárias, etc. 

d) Quantidades e valores relativos aos produtos e serviços prestados: Aqui está a parte mais importante da fatura: consumo, demanda, energia reativa, etc. 

e) Impostos e contribuições incidentes sobre o faturamento: obrigatoriamente deverão ser demonstrados os valores de impostos e de encargos que estão sendo pagos. 

f) O histórico de faturamento: a distribuidora deve fornecer os dados de faturamento dos últimos 12 meses. 

g) Os interesses dos usuários do sistema de distribuição: avisos, informativos, observações, etc. 

Obrigatoriamente, para te ajudar a entender como ler a conta de energia, a fatura também deverá informar a distribuição do pagamento que a sua empresa está realizando. Ou seja, o quanto você realmente paga pela energia, pelos tributos e pelos serviços da distribuidora. Além disso, na fatura devemos nos atentar aos campos de observação, onde sempre encontramos informações sobre decisões judiciais, créditos da unidade, faturas em aberto ou inadimplência.

O que realmente importa na fatura de energia da empresa

A fatura de energia elétrica do grupo A, ou seja, a conta de energia elétrica das unidades que são atendidas em média e alta tensão – onde a grande maioria das empresas e indústrias são enquadradas – é composta por três valores principais (e que representam a maior parte da fatura): consumo, demanda e os impostos incidentes. Para saber mais informações sobre esses pontos, clique aqui

Como citamos no início, a conta de luz deve ser apresentada como um documento comercial, porém, podemos nos deparar com valores complexos e termos de contrato difíceis de  entender para aqueles que não estão tão familiarizados. As informações encontradas na fatura podem ser divididas em dois grupos:  aspectos  contratuais e aspectos físicos

Os aspectos contratuais podem ser gerenciáveis através do seu CUSD (Contrato de uso de sistema de distribuição) que é o contrato firmado com a concessionária para receber a energia elétrica, neste contrato estão descritos o grupo tarifário, enquadramento tarifário, demanda contratada, entre outros. Os aspectos contratuais podem alterar ativamente o  valor cobrado pelos aspectos físicos. Ou seja, os valores que são cobrados pela quantidade de certa grandeza elétrica medida no período: consumo, demanda, energia reativa, etc. 

Demanda (Demanda Ativa kW, Demanda de Potência Medida, DEMANDA DISTR USD, etc.) 

A demanda é o pico de potência, a potência máxima atingida pela empresa no período medido. Para entender mais sobre o que é a demanda de energia clique aqui. Diferentemente do consumo, a demanda é um pouco mais complicada: ao contratar o serviço de distribuição você faz um acordo com a concessionária informando o quanto de demanda você irá utilizar – isso é importante para que a concessionária possa dimensionar a  infraestrutura de entrega – e a empresa deverá sempre tentar seguir o  valor acordado em contrato, por isso a denominação: demanda contratada. 

Com exceção das classes rurais ou com sazonalidade reconhecida, a empresa deverá pagar um valor fixo por todos os meses de demanda. Ou seja: se no contrato é determinado para a concessionária que a sua empresa vai consumir 100 kW, a distribuidora cobrará na fatura 100 kW por mês. Caso o limite – 5% acima da demanda contratada – seja excedido, a empresa estará sujeita a pagar uma multa  (bem cara por sinal). Agora, caso não utilize todos os 100kW predefinidos, pagará o restante sem os tributos incididos no montante não consumido. 

A demanda contratada deverá ser otimizada para que a sua empresa não pague por multa de ultrapassagem da demanda contratada e nem por demanda não utilizada. Confira mais informações sobre este assunto, clicando aqui

Um bom exercício de como ler a conta de energia, é analisar e se perguntar se essa é a demanda realmente ideal para a sua empresa. Se tiver dúvidas em relação a isso, pode falar com a nossa equipe!

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Tarifas

As tarifas incididas sobre a energia elétrica dependem do grupo (A ou B); da modalidade tarifária (verde, azul, branca); da classe da empresa (rural, industrial, comercial) e do subgrupo a qual ela pertence. Para saber mais sobre os grupos tarifários clique aqui

Sobre a  questão de faturamento, as tarifas são divididas em duas: TUSD e TE.

  • A TUSD é a tarifa sobre o uso do sistema de distribuição. Ou seja: a tarifa paga pela distribuidora para levar a energia até você.
  • A TE é a tarifa de energia: tarifa paga pela compra da energia elétrica propriamente dita. 

Essas tarifas são homologadas pela ANEEL para cada distribuidora, dependendo do subgrupo a qual a unidade pertence. Com exceção das empresas que participam do mercado livre, onde a TE é negociada com a empresa geradora. 

Por norma, a distribuidora deve apresentar na fatura, o cálculo realizado para chegar nos valores finais. Algo semelhante a:

consumo x tarifa (com ou sem tributos) = valor a pagar

Modalidade tarifária

A modalidade tarifária se refere a como uma unidade do grupo A escolhe ser faturada, através do seu contrato com a distribuidora. Existem duas modalidades tarifárias: horária verde e azul (para aquelas que são atendidas com tensão igual ou acima 69kV é obrigatória a modalidade azul). 

A modalidade verde funciona da seguinte maneira: consumo horário, separado em fora ponta e ponta, com o valor da tarifa pago na ponta expressivamente maior que o valor pago na fora ponta, porém apenas um valor de demanda: a demanda máxima medida ou na ponta ou na fora ponta. Já na modalidade azul, a empresa paga o consumo ponta e fora ponta, porém o valor na ponta é razoavelmente maior que o valor cobrado na fora ponta, em contrapartida, a demanda é faturada nos dois horários: o máximo medido na ponta e o máximo medido na fora ponta. Para saber mais sobre o enquadramento tarifário leia o artigo sobre esse assunto clicando aqui

Consumo (ENERGIA ELETR USD, Energia Ativa kWh, Consumo em kWh, ENERGIA ELETRICA CONSUMO, etc.)

O consumo é dividido em ponta e fora ponta. O horário de ponta é um horário de três horas consecutivas, estipulado por cada distribuidora, onde o valor da energia elétrica é mais alto, por ser considerado um “horário de pico”. Esse horário de ponta não ocorre nos finais de semana nem nos feriados nacionais. Para entender mais sobre horário de ponta clique aqui e leia nosso artigo.

Aqui, a pergunta que deve ser feita por você, gestor, é: meu perfil de consumo é imprescindível para o consumo no horário ponta ? É viável realizar alguma alteração de modalidade tarifária (de azul para verde ou verde para azul)? 

Bandeiras tarifárias (ENERGIA CONS B ESCASSEZ HID, Adic. B. Vermelha, Bandeira Escassez Hídrica, etc.)

As bandeiras tarifárias são um mecanismo criado pelo governo para poder custear o acionamento de outras fontes de energia elétrica (como termelétricas), quando as hidrelétricas do país, (que representam mais de 60% da geração de energia elétrica), passam por dificuldades para geração, como por exemplo: as temporadas de secas. 

As bandeiras tarifárias são cobradas com base no consumo. Elas podem ser agrupadas junto ao consumo, ou aparecer separadas na fatura. Para saber mais sobre as bandeiras tarifárias clique aqui e leia este artigo

Multas (Energia Reativa Exced, Energia Reativa kWh, Demanda Potência Ativa – Ultrap, Ultrapassagem kW, etc.)

Aqui as coisas ficam um pouco complicadas, pois muitas vezes, as distribuidoras não vão te alertar que o valor que está pagando é referente a uma multa, então fica mais difícil  aos olhos destreinados, identificar uma cobrança e tentar se adequar. Um grande exemplo é o fator de potência, que quando ultrapassa um limite pré definido,  gera multa a ser paga Nesse caso, a nomenclatura presente na fatura, pode ser identificada como “Energia Reativa” ou “ERE”. As multas mais comuns são de fator de potência e de ultrapassagem de demanda. 

Impostos

Não devemos esquecer que a energia elétrica é um produto e sua entrega é um serviço como qualquer outro. Sendo assim não ficariam de fora de ser tributados – e muito. Segundo a CNI, em 2020 os tributos e encargos corresponderam a 38% da tarifa de energia elétrica. 

Os tributos são divididos pela esfera tomadora, ou seja, Federal, Estadual e Municipal. Os tributos federais são de caráter social: PIS (Programa de Integração Social) e COFINS (Contribuição para o Financiamento do Seguro Social). Já os estaduais (o mais importante e de maior parcela) é o ICMS, onde cada estado possui uma porcentagem estipulada. E o imposto municipal, que é o CIP: contribuição de iluminação pública. Se quiser saber mais sobre os tributos e encargos na conta de luz, leia nosso artigo clicando aqui

Estes impostos podem aparecer ocultos na fatura (ou seja, já inclusos dentro da tarifa), como também podem aparecer de maneira separada. Isso depende muito de distribuidora para distribuidora. 

Como fazer redução de custos de energia elétrica

Ao saber como ler a conta de energia, é através dela que é possível constituir tomadas de decisão para realizar a redução de custos para a próxima fatura e até mesmo para períodos maiores. Com a fatura você pode tomar decisão sobre todos os itens citados acima. Você deve sempre se perguntar, olhando para os dados da fatura, o que você está pagando agora e o que pode ser otimizado ou reduzido:

Consumo: Posso fazer a redução do consumo na ponta? Caso afirmativo, alterar o consumo para fora da ponta. Caso não seja possível, você pode fazer uma análise de alteração de modalidade tarifária

Demanda: Estou pagando por ultrapassagem de demanda ou demanda não utilizada? Fazer otimização da demanda contratada.

Fator de potência: Tenho pagado por consumo/demanda reativa excedente? Fazer a correção de fator de potência com banco de capacitores (também verificando o rendimento das máquinas e equipamentos)

Impostos: Os impostos pagos realmente estão corretos? Entrar com processo de restituição de valores ou isenção de ICMS. 

Um controle por planilha de Excel pode até funcionar para empresas pequenas e com poucas faturas, mas não será suficiente se sua empresa possui muitas unidades ou tem uma característica multi site. Para isso você precisa ter um sistema de gestão de faturas com acompanhamento constante. Ainda dúvidas de como ler a conta de energia da sua empresa? Entre em contato conosco e comece a economizar na sua fatura agora mesmo!

Matheus Campinho

Graduando em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)

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