Inteligência Energética – Como aplicar em minha empresa?

Já faz uns 3 ou 4 anos que escrevemos sobre diversos temas relacionados à Energia aqui na CUBi. Tentamos sempre cobrir elementos muito simples e corriqueiros para quem é do mercado, mas que podem se tornar grandes desafios para pessoas menos técnicas. São conteúdos que muitas vezes não estão disponíveis de maneira acessível em nenhum outro lugar da internet. Dessa vez, foi a vez do termo: Inteligência Energética.

Esse trabalho de construção de conteúdo educativo gratuito faz parte de uma missão bem enraizada na CUBi, de que podemos ajudar empresas e gerar impacto real para a sociedade, através de informações e orientações que fazem parte desta página. Foi através de feedbacks de pessoas que acessam nosso blog continuamente e se baseiam nas informações que fornecemos, que chegamos à conclusão que poderíamos montar um guia maior, mais generalista e que indicasse os principais links de conteúdos que são usados na prática e no dia a dia dessas empresas.

Pega aí o seu bloquinho de anotações que tem muita informação nesse post.

Achamos justo chamar este post então de Inteligência Energética, que é um termo bem genérico, usado para um monte de coisa diferente no mercado. Então nas próximas seções vou definir um pouco do que eu (pessoalmente) considero uma divisão prática dentro de Inteligência Energética.

O que é Inteligência Energética?

Sendo muito honesto, conheço pouca literatura que define esse termo e eu desconheço uma definição formal, mas na minha visão seria algo como:

Inteligência energética é um processo, formado da junção de conhecimento, de práticas e ferramentas aplicadas de forma estratégica para coletar e analisar informações internas à empresa e de mercado, e aplicá-las de forma a otimizar o uso do recurso energético.

Hoje aqui na CUBi usamos para descrever diversas situações que envolvem o uso de energia. As situações mais comuns que consigo pensar:

  • Uso de energia dentro de uma unidade da empresa, podendo ser ela uma indústria, um comércio varejista, um escritório, uma clínica, etc. O foco aqui é olhar para os elementos que existem dentro do processo. Estes elementos podem ser subsistemas ou divisões particulares como: um andar de um escritório, uma linha de produção, um setor inteiro da empresa, ou até o sistema de iluminação. Também podem ser máquinas ou elementos mais específicos, normalmente referidos como Ativos. A estratégia mais comum para se trabalhar neste nível é voltada ao uso de medidores de energia / monitoramento de energia.
  • Uso de energia de uma única unidade, mas avaliada de forma geral, normalmente associada à contratação de energia ou do uso macro da energia, que envolve todos os elementos do processo ao mesmo tempo e não há informação de dentro do processo. Exemplo: a entrada principal de uma única indústria. A gestão pode ser realizada através de equipamentos que medem as entradas de energia OU através das contas de energia do local (deixamos uma referência sobre isso mais à frente).
  • Uso de energia em várias unidades de uma mesma empresa, onde a atenção está em análises macro e de forma mais gerencial. Pouca informação disponível (usualmente) sobre o processo de cada unidade, o que conta mais é a soma e a visão de todas as partes. Exemplo: canteiros de obras de uma empresa de construção civil, supermercados com múltiplas unidades, múltiplas fazendas, escritórios, etc… Na prática é mais comum que seja feita baseada nas contas/faturas de energia, mas empresas mais avançadas o fazem usando medição e monitoramento.

Um comentário importante é que essa divisão prática não é escrita em pedra, é comum que alguns casos envolvam mais de um formato ocorrendo ao mesmo tempo, ainda mais com o aumento da maturidade energética da empresa em questão, que conforme encontra bons resultados em uma abordagem, vai ampliando seu escopo gradativamente. Um exemplo: temos uma empresa na CUBi que realiza a gestão energética através de faturas dos seus mais de 100 ativos espalhados pelo país, nos 10 maiores consumidores, eles possuem monitoramento na entrada principal de energia, e na sede da empresa, possuem monitoramento de elementos “da porta para dentro”, como a iluminação e diferentes setores. Esta empresa então, mistura um pouco dos 3 elementos que expliquei ali em cima.

Qual a importância da inteligência energética?

Existem diversos elementos que podem ser considerados como importantes em um processo bem sucedido de inteligência energética, a diferença é com quais deles a empresa se importa e usa para medir seu sucesso. Hoje, processos do tipo podem envolver (mas não se limitar a):

  • Melhor competitividade de mercado na contratação de energia: o mais comum de todos, já que as maiores empresas do país acabam por contratar empresas especializadas no tema ou criar áreas internas focadas em otimizar a contratação/compra e venda de sua energia;
  • Competitividade de mercado ao otimizar os processos internos para serem mais eficientes no uso de energia e, portanto, com custos reduzidos de operações em relação ao seus concorrentes. Um dos motivos mais comuns de encontrarmos, a empresa quer investir menos R$ para produzir a mesma unidade de produto do que seu concorrente, tendo assim mais margem para trabalhar seus produtos;
  • Gestão que não visa melhorias diretas, mas sim controle. Imaginem empresas com filiais espalhadas pelo mundo que precisam ter visibilidade de gastos com energia, de emissões de CO2 ou qualquer outro indicador que só pode ser acompanhado com processo estruturado envolvendo todas as unidades.
  • Sustentabilidade: mesmo que o tema que não chama atenção de algumas empresas ou seja secundário em outras, projetos que envolvam a melhoria de controle de gestão energética impactam indicadores de sustentabilidade diretamente, especialmente dentro do tema de mudanças climáticas e emissões de CO2 na atmosfera. Algumas empresas, principalmente com matrizes internacionais acabam por ter esse elemento como principal na hora de desenvolver suas práticas de inteligência energética. Para essa linha, podem ter como objetivos tanto os reports para seus acionistas e clientes, como maneiras de perseguir suas estratégias de redução de emissões de carbono. 

Conceitos base que podem ajudar na jornada

Agora que contextualizei um pouco do tema, vou partir para as partes mais práticas. Na lista a seguir coloquei os muitos termos e conhecimentos estruturais que são bem importantes de se conhecer. Eles podem ser úteis para tanto empresas consumidoras de energia como para profissionais do ramo de gestão/consultoria que precisam ajudar seus clientes na parte de energia. Todos estão com link para seus respectivos conteúdos mais aprofundados. Não criei uma divisão formal para em quais cenários podem ser aplicados, mas existem termos e conteúdos focados em contratação de energia, gestão de múltiplos ativos e também de dentro de processos produtivos, tudo em linha com o que havia comentado anteriormente.

Indicadores e métricas

Tema ESSENCIAL de ser estudado para qualquer pessoa e empresa que irá realizar qualquer tipo de controle para uma melhor gestão energética. Do olhar gerencial e menos técnico, é a parte mais importante do processo, já que se ele não for bem desenhado não só deixará de trazer resultados, como os mesmos (positivos ou negativos) não poderão ser medidos e avaliados. O pior cenário acontece quando empresas investem no tema sem estruturar esta parte antes, para depois descobrir que não sabem avaliar os valores obtidos ou a eficiência do que desenharam e o projeto acaba por ser descontinuado, não por falta de impacto gerado, mas por falta de uma estrutura capaz de capturar esse valor/resultado. A estruturação tem de ser bem pensada (e não é nada complicado depois de se entender a lógica), pois é ela que irá indicar o que está dando certo e o que está dando errado, baseando-se em fatos, em métricas e indicadores. Muitas empresas que já trabalhamos poderiam melhorar seus processos somente avaliando esse conteúdo, sem precisar investir em tecnologia ou qualquer outra ferramenta, além do que já possuem dentro de casa.

Post – Métrica de performance energética e seus indicadores

Post – Consumo específico e intensidade energética na prática

Gestor tentando medir resultados de projetos sem planejar suas métricas e indicadores.

Consumo / Demanda

Talvez a primeira informação que qualquer pessoa que irá pegar uma fatura de energia na mão precise saber, é a diferença entre consumo e demanda, e acredite, é simples e muita gente confunde mercado afora. Especialmente válido para empresas que estão no grupo A. Caso não saiba, normalmente as pessoas as identificam por algumas características (além de checar a conta, lógico), estar na Média/Alta tensão, que possuem cabine primária, que possuem demanda, etc. Se você está em dúvida, basta pegar sua fatura, checar o cabeçalho e procurar por uma indicação entre A ou B.

Post – Demanda e Consumo de energia, qual a diferença?

Demanda Contratada e Ultrapassagem de demanda

Mais uma do Grupo A, seguindo o bonde do conteúdo anterior, após saber a diferença entre os termos é importante saber como que isso é aplicado no contrato de energia com a sua distribuidora. A parte da ultrapassagem é responsável por uma parcela grande de multas que vemos clientes tomando, então vale a pena dar uma olhada pois é algo fácil de resolver caso o problema exista.

Post – Demanda Contratada e Ultrapassagem de Demanda – O que são?

Enquadramento tarifário

Também é válido para clientes do Grupo A, sobre as diferentes opções de contratação de energia diretamente com a distribuidora de energia, sem precisar envolver nenhuma outra parte.

Post – Enquadramento Tarifário, qual o melhor? Azul ou Verde?

Mercado Livre de Energia

Para os que nunca ouviram falar ou não entendem como funciona o Mercado Livre de Energia, uma ambiente que possibilita comprar energia de outras empresas ou fontes que não da sua distribuidora local. 

Post – Mercado Livre de Energia – Como funciona?

Oportunidades e gestão das faturas de energia

Uma estratégia que só comentei por cima até agora, é a de usar as faturas de energia (as contas que as distribuidoras de energia enviam) para realizar algum controle e alimentar um sistema de gestão. Lógico, que a informação é rasa quando comparada com sistemas de monitoramento de energia, que vou comentar a seguir, mas já é um ótimo começo do processo. No conteúdo é possível ver algumas estratégias de buscar oportunidades de melhoria baseando-se somente nestes documentos mensais que qualquer consumidor tem acesso.

Post – Gestão de Faturas de Energia

Medição e Monitoramento de Energia

Praticamente todas as estratégias e elementos que comentei até aqui são voltadas à dados. Como dei minha definição lá em cima, Inteligência energética é um jogo de coletar e analisar informações de energia e de outros elementos que estão conectados à ela. Dito isso, o uso de medidores de energia, principalmente aqueles que possuem conectividade (capazes de coletar dados e transmiti-los automaticamente para um sistema) são uma ferramenta essencial do processo. Hoje os equipamentos são usados para monitorar tanto entradas de energia junto da distribuidora, como qualquer subsistema dentro das empresas, trazendo muito mais informação de qualidade para a mesa. O volume e profundidade de informações está em outro nível quando comparado com a gestão de faturas. Por exemplo, para uma entrada principal de energia, os sistemas usualmente permitem ver dados de 15 em 15 minutos, ao invés de esperar 30 dias para a chegada da fatura que condensa um mês inteiro de informação em um único número. O post a seguir traz as múltiplas opções de medição e de softwares de gestão energética que estão disponíveis no mercado.

 Post – Monitoramento de Energia – atualizado 2020

Fator de Potência

Um termo mais voltado ao lado técnico, mas ao mesmo tempo um dos elementos que mais gera multas nas faturas de energia de nossos clientes. Nos posts linkados, um pouco do problema e também de uma das estratégias de solução mais adotadas.

Post – O que é Fator de Potência?

Post – Banco de Capacitores – O que são?

Eficiência Energética

Um dos termos mais facilmente encontrados na internet e também nos discursos de profissionais que trabalham no setor de energia. Eficiência energética como uma forma de se produzir mais com menos energia empregada. O conteúdo linkado é super direto e prático, com exemplos inclusive.

Post – Eficiência Energética – O que é? Qual a importância?

Tarifa Branca

Uma opção bem interessante para algumas pessoas físicas e jurídicas, que poucos acabam conhecendo e que tem muito espaço ainda para crescer no país, onde é possível, para pequenos consumidores, optar por ter preços de energia diferentes para variados horários do dia.

Post – Tarifa Branca – O que é? Como funciona? E vale a pena?

Maturidade energética das empresas

Existe uma infinidade de assuntos e conteúdos que podem ser úteis no processo de gestão de energia da sua empresa. Para finalizar, vou deixar o link de um estudo que fizemos no ano passado, avaliando um pouco a maturidade energética dos clientes da CUBi e também os critérios que usamos para agrupar empresas menos maduras das mais maduras.

Post – Nível de Maturidade em gestão energética da sua empresa

Post – Revelamos: distribuição de maturidade energética de nossa base

Espero que esse guia de conteúdos focado na Inteligência Energética como enxergamos aqui na CUBi tenha sido útil para vocês. A CUBi ajuda clientes em todos os elementos citados, desde a captura de dados, sejam de faturas de energia ou de monitoramento, até o desenho de indicadores e métricas que façam sentido e sua implementação em Dashboards para que tudo seja acompanhado em tempo real da maneira mais automatizada e transparente possível, se quiser entender como que isso pode ser implementado na realidade de sua empresa, fique a vontade para entrar em contato AQUI.

Rafael Turella

Engenheiro ambiental pela UNESP e mestre em Sistemas Sustentáveis com ênfase em Energia pelo Rochester Institute of Technology. É co-fundador da CUBi e atualmente responsável pela área de marketing e vendas.

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